quarta-feira, 3 de junho de 2015

Efeitos da suplementação dietética com óleo de coco no perfil lipídico e cardiovascular de indivíduos dislipidêmicos

 

Objetivo. Avaliar o efeito da suplementação dietética com óleo de coco extravirgem no perfil lipídico e cardiovascular de indivíduos hipercolesterolêmicos. Método. Trata-se de uma pesquisa de intervenção realizada no ambulatório de cardiologia de Valparaíso de Goiás. A amostra foi composta de 32 pacientes, hipercolesterolêmicos, 50% do sexo feminino, idade média de 48 anos. Todos os pacientes foram suplementados com 30 mL/dia de óleo de coco extravirgem durante três meses. Analisou-se o peso corporal, o índice de massa corporal, o perímetro abdominal, a relação abdômen-quadris, o consumo alimentar (recordatório de 24 horas), assim como lipidograma completo, glicemia de jejum, apolipoproteínas (apo) A-I e B, proteína C reativa ultrassensível (PCR-us), lipoproteína (a) [Lp(a)] e fibrinogênio antes e depois da suplementação. Usou-se, para análise dos dados, o teste estatístico  de estudantes, e considerou-se significância de 5%. Resultados. Após a suplementação com óleo de coco, observou-se redução significativa do peso, índice de massa corporal, relação abdômen-quadris, perímetro abdominal, triglicérides, lipoproteína de muito baixa densidade (VLDL-c) e PCR-us, bem como aumento significativo nas concentrações de apo A-I. Observou-se, também, tendência à redução do colesterol total, lipoproteína de baixa densidade (LDL-c) e Lp(a), assim como um ligeiro aumento de lipoproteína de alta densidade (HDL-c) e fibrinogênio, porém esses resultados não foram significativos. Conclusão. Os resultados sugerem que a suplementação dietética com óleo de coco extravirgem é capaz de exercer benefícios no perfil lipídico e cardiovascular de indivíduos dislipidêmicos.(AU)

terça-feira, 2 de junho de 2015



Azeite mais confiável

Metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora é capaz de identificar em tempo real a composição de azeites e evitar assim a comercialização de produtos adulterados.
Por: Everton Lopes
Azeite mais confiável
O método criado na UFJF se baseia na interação da luz com o azeite para verificar sua composição. Para ser considerado azeite de oliva, o produto não pode ser misturado a outros óleos ou gorduras. (foto: U.S. Department of Agriculture/ Flickr – CC BY 2.0)
Não é raro ver na mídia notícias de fraudes na composição de azeites. Uma metodologia desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) poderá fortalecer a fiscalização desses produtos. O método é capaz de identificar de forma rápida e eficaz a composição do azeite e assim detectar possíveis adulterações.
O grupo, que conta com pesquisadores das áreas de física, química e engenharia de alimentos, já estudava fraudes em leite e derivados. “Então tomamos conhecimento, por meio de artigos, jornais e outros meios de divulgação, das fraudes no azeite com óleos de diversas origens”, conta Maria José Valenzuela Bell, física da UFJF e coordenadora do projeto. “Percebemos que as metodologias que estávamos usando para o estudo de fraudes em leite deveriam se adequar também ao azeite.”
A metodologia funciona como a leitura ótica das impressões digitais dos nossos dedos
Segundo Bell, a metodologia funciona como a leitura ótica das impressões digitais dos nossos dedos. “É possível descobrir quem é a pessoa por meio da análise de suas digitais.”, compara a física. “No caso do azeite e dos diferentes tipos de óleo, cada um possui sua digital, suas características específicas, e nós, por meio da metodologia proposta, conseguimos separar o que é azeite e o que não é”, explica.
O método se baseia na interação da luz com o azeite para analisar sua composição. Os pesquisadores desenvolveram um aparelho portátil que conta com uma fonte de luz e um detector da luz refletida pelo composto depositado no aparelho. Esse detector é calibrado para reconhecer um padrão de luz característico daquele refletido pelo azeite, o que permite identificar e quantificar uma eventual adulteração.

Fiscalização em tempo real

A facilidade com a qual o azeite de oliva se mistura a outros óleos e a grande diferença entre o custo do azeite e do óleo de outras origens têm levado ao aumento das fraudes. Esses fatores, aliados à dificuldade de realizar a fiscalização dos produtos em pouco tempo, deixa o consumidor à mercê das indústrias. É importante lembrar que, para ser considerado azeite de oliva, o produto não pode ser misturado a outros óleos ou gorduras.
Azeite
O azeite se mistura facilmente a outros óleos, que têm custo bem menor, favorecendo a ocorrência de fraudes. (foto: GraceOda/ Flickr – CC BY-NC-ND 2.0)
Atualmente, para avaliar a composição do azeite, amostras de diversos fornecedores são coletadas e enviadas a laboratórios credenciados para a realização da análise com métodos físicos e químicos. Todo o processo leva, em média, mais de um mês e, até que o resultado esteja disponível, o produto já foi utilizado. “Nossa proposta, em fase de desenvolvimento, é a apresentação de um protótipo portátil, pequeno e recarregável, que possa fornecer o resultado da análise do azeite em tempo real”, diz Bell.
O aparelho consegue detectar a partir de 0,5% de adição de óleo
O protótipo já foi testado em amostras de azeite puro (usado como referência) e adulterado. Segundo física, o aparelho consegue detectar a partir de 0,5% de adição de óleo. Agora os pesquisadores estão comparando os resultados com os obtidos por meio de outras técnicas de análise e realizando avaliações de azeites disponíveis no mercado para ampliar o número de amostras testadas.
A equipe também trabalha na finalização do aparelho: está escolhendo os componentes mais leves e eficientes e adicionando uma bateria para permitir seu funcionamento autônomo. “Ainda não temos uma previsão de quando ele estará disponível para uso”, finaliza Bell.
 
FONTE:
Publicado em 13/05/2015 | Atualizado em 13/05/2015
Everton Lopes
Ciência Hoje On-line